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Deus ajuda quem cedo madruga

  • 6 de mai.
  • 2 min de leitura

Texto escrito em 2019 e publicado na antologia Contos do Brasil


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Carlos abriu os olhos, a música que tocava fora estava ficando mais baixa. Estava na hora de levantar. 

 

Suspirou já pensando no trabalho que viria em frente, estava cansado. Queria dormir mais, descansar mais, aproveitar mais. 

 

Mas a idade já não era tão sua amiga. Passar dos 50 não era tão fácil, ainda mais com trabalho braçal. Mas sabia que logo poderia aproveitar a aposentadoria e todo o esforço seria recompensado. 

 

Tomou seu banho e preparou um café forte para espantar o sono do corpo. Colocou seu uniforme dobrado na mochila e foi para o caminho do ônibus. 

 

5h00 pontualmente. Viu os jovens saindo do fluxo, foi cumprimentando e sentiu saudades das noites de quando era novo. Era conhecido ali no Rincão, era o Carlão da rua 11, o tio que sempre ajudava todo mundo. 

 

5h10, o Estação Jaraguá estava cheio, os mesmos rostos sonolentos e rotineiros. Conhecia cada um daqueles que ocupavam as cadeiras e corredores. Um menino ofereceu o lugar, mas Carlos agradeceu e preferiu ir de pé. Não era tão velho assim. 

 

5h15, o ônibus parou bem na entrada do City Jaraguá ou como Carlos conhecia, a Arábia. Um som seco, todos apavorados, torcendo para que tivesse sido uma moto.  

 

A porta do ônibus abriu e Carlos decidiu descer num pulo, começou a correr. Se escondeu atrás de um poste. 

 

Outro barulho seco. 

 

Percebeu que estava sem sua bolsa e carteira, elas deveriam ter caído na hora que desceu. 

 

Mais um barulho seco. 

 

Um quente na barriga. A camisa azul começou a ficar vermelha. 

 

Tentou correr, mas o choque fez com que caísse. “Eu não achei que seria assim” pensou enquanto fechou os olhos. Descansou. 

 
 
 

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